quinta-feira, 15 de julho de 2010

Conheço um menino

Estou sentada na frente do meu prédio esperando ele chegar. Faz dois anos que combinamos e faz dois anos que estamos esperando, ele fazer 18 anos para poder vir me buscar.
Lembro ainda como se fosse ontem, ou hoje, nós dois na internet. Eu tinha 13 anos, no fim do ano ia fazer 14 e eu criei um fake e simplesmente me apaixonei, não sabia mais como viver sem. Não sem o fake, sem o garoto que eu conheci nele. Eramos namorados no fake, o lado On da vida, mas levamos isso para a vida real, o lado Off da vida. Eu que amava o Nicholas Jonas, Zac Efron, talvez até o menino da minha escola, esqueci de tudo, por que agora só Luck vinha na minha cabeça, respirava pelo Luck, sonhava com o Luck, chorava pelo Luck, por morarmos longe e nunca nenhum dos nossos pais deixar agente se encontrar, trazer ele para São Paulo, ou eu para o Rio. Achávamos nossos pais completamente loucos. Fui presa, ao tentar fugir a pé para o Rio, pulei da janela, fiz tanta coisa...
Eu tinha ciumes dele, mas ele dizia que eu não precisava, por que eu era dele e ele era meu.
Acreditava, e ainda acredito.
O carro buzinou, me tirando dos meus pensamentos. Levantei o rosto e não pude acreditar no que vi. Aos 16 anos meu sonho se realizou, o que eu sonhava todas as noites, ganhou vida.
Larguei minhas coisas no hall do prédio e não pensei duas vezes em sair correndo para seus braços. Um casal passava na minha frente, me desviei deles, mas pude sentir seus olhares seguirem os meus e depois voltarem as minhas malas, e pude sentir eles sorrindo no ar.
Não importava o que acontecesse, nada iria tirar minha felicidade naquele instante. Abri o portão e o abracei, mais forte do que eu me achava capaz.
Senti algumas lágrimas correndo pelo meu rosto e eu só conseguia senti-lo, sabia que estavamos no meio da rua, ao lado do seu carro, mas eu senti a necessidade de beija-lo, não podia mais esperar por esse momento, já havia esperado de mais.
Nos beijamos, e de novo, foi um beijo tão perfeito que eu nunca achei ser capaz de existir.
Senti a garoa caindo sobre mim, não liguei, sorri. Alguns carros buzinavam, não ligamos. Estavamos no dia mais felizes de nossas vidas, e nada podia estragar.

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