terça-feira, 24 de agosto de 2010

No mar, acontecem coisas...

Te conheci assim do nada, ainda rio quando conto para meus amigos e familiares, ninguém acredita, mas eu não me canso de falar. Foi o melhor dia da minha vida, eu te conhecei, meu melhor amigo, o amor da minha vida.
Amigos são irmãos que a vida nos tira, por destino, ou por felicidade, não são da mesma familia, mas nos entendem como ninguém, sabem todos os seus medos, segredos, sonhos e alegrias. E para minha felicidade, esse 'irmão' que a vida me tirou no nascimento foi você.
Estava no deck do navio, olhando o mar, o por do sol. Hoje esta tudo calmo. Eu queria poder pular e nadar nas águas geladas, eu derretendo aqui. É a minha primeira viajem de navio, e agora, estão limpando a piscina, não posso mais nadar. O chuveiro, já não me alivia mais. Eu queria poder, agora ser expulsa do barco, com aqueles piratas malvados me falando para pular a prancha. Comecei a rir sozinha. Ser pirata sempre foi meu maior sonho. Caçar tesouros perdidos no meio do nada, viajar de ilha em ilha para de barco pelo mundo todo. Ancorar em ilhas desérticas e mesmo assim não cansar de me encantar com cada ser vivo que encontrasse. Queria uma vez me apaixonar perdida mente, e sair a procura do meu amor, mesmo que depois eu voltasse ao mar, e logo depois voltasse ao seu pais, percebendo que não iria viver sem ele. Mas infelizmente não sou uma pirata. Não posso sair todos os dias e ver o oceano, calmo ou agitado, com um sol escaldante, ou com as ondas a metros de altura, por causa da tempestade.
Peguei uma vassoura que estava do meu lado e ela se transformou em espada na mão de menina com pouca infância, as cadeiras, se tornaram monstros dos mais diversos. Fui rodopiando pelo navio, todos já em suas camas, cansados com o dia caloroso, e se alguém aparecia eu não estava nem ligando, estava vivendo o meu sonho. Algumas crianças entram na brincadeira e formamos um navio inteiro. Até que uma delas, disse para eu ter cuidado, que alguém iria me atacar a qualquer momento. Estava em extasie.
-Vou me esconder nessa sala, não falem para ninguém que estou aqui. Pode ser para minha segurança, cuidem no navio! - anunciei para o meu braço direito, que quis ser chamado de barba azul.
Algumas crianças ficaram me observando, mas uma pulou para dentro da sala e com uma espada, muito maior do que a minha me atingiu, mas eu revidei, e cai, na estante de livros da sala, bati minha canela na mesa de centro e cai sentada, perto da escada, que dava no meu ponto de partida. Minha cabeça latejava, mas eu não conseguia fazer outra coisa, se não, rir de mim mesma. As crianças riram também, porém mais preocupadas. Tentei levantar e me apoiei na prateleira em cima de mim, que virou e caiu com os livros na minha cabeça. Eu só conseguia rir mais e mais.
Passos apressados estavam vindo da cabine de fora. Ao me ver o homem, sorriu, e me ajudou a sentar mais perto da escada.
-Meu Deus. - ele riu, provavelmente por eu estar rindo. - Espere aqui, vou buscar um curativo para isso aqui. - ele olhou a sala e riu mais ainda. Correu para a cabine e trouxe uma meletinha de curativos.
Me passou um remédio na testa, que ardeu e me fez tremer.
-Já, já melhora. - ele sorriu, e o senti afagar meu rosto. - ele colou um band-aid na minha testa e me perguntou o que aconteceu.
A essa hora as crianças já na piscina, que havia sido liberada, corriam e riam sem parar.
-Vou arrumar isso aqui. - propus me levantando e já começando a tirar as coisas que eu havia derrubado.
-Eu te ajudo. - prometeu ele. - Só vou ancorar o barco.
Eu sorri, ele era o capitão.
Depois, ele voltou, e contei para ele o que havia acontecido, e ele só conseguia rir de mim, mas depois de um tempo, arrumando e consertando as coisas que eu havia estragado, ele me chamou para jantar.
Me ensinou a pilotar o barco. Namoramos, depois de um tempo, casamos. E sempre rimos desse jeito como o destino nos colocou. Ah! e sim, ainda brincamos de piratas com as crianças que vão viajar no nosso navio pirata.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Coisas do coração, ou da visão

E é possível, alguém se apaixonar por um olhar? Por um sorriso? Por uma palavra, que nem foi pra você? É possível se apaixonar pela tua voz? Posso me apaixonar pelo jeito como você age com as suas amigas? E pelo jeito que você fala comigo na internet? Estudo na sua escola e você nem sabe que eu existo. Falou comigo, mas nunca me viu. Nunca ouviu minha voz. Já sorriu para mim, mesmo sem saber que era eu. Já me disse 'Oi' porque seu amigo cumprimentou a minha amiga. Será que é possível se apaixonar, pelo teu jeito, mesmo não te conhecendo?
Se é possível, não faço idéia. Mas eu me apaixonei. Mas quem liga, meu mundo é mesmo de ponta cabeça, os cabelos, estão no lugar dos pés. Eu conheço seu irmão, falo com ele direto, e ele só fala bem de você. Será por isso que me apaixonei? A maioria dos meus amigos não te conhecem, nem sabe quem você é. Mas é com você que eu sonho todas as noites, é com você que eu esbarro toda manha, e vejo o sorriso mais lindo do mundo, pedindo desculpas, nem sei se você nota, que sou eu o tempo todo, mas eu sei que é você ali, sorrindo para mim, sem ao menos saber meu nome. Ah! como eu queria poder te falar, que quero te conhecer. Queria te falar o quanto você toca bem, mas suas amigas são tão lindas perto de mim, e com certeza seu coração já tem dona. Não foi culpa minha me apaixonar à primeira vista, apenas aconteceu, e eu não tive escolha. Sei teu nome inteiro, até a sala e a série em que você estuda, sei o elevador que você pega, e aonde você mora, sei para onde você vai. Não que eu te espione, mas meus olhos não saem de você. Não é minha culpa você ter uma rotina e eu ver você todos os dias, e nem foi minha culpa aquele dia que você vinha na minha direção, sorrindo e eu me virei. Você disse 'Oi' sem ter ninguém do meu lado, e você levantou a mão, me olhou de longe e sorriu. Me reconheceu. Mas eu tenho tanta vergonha. Talvez não seja para acontecer, ou talvez só não fosse o momento certo. Vai entender o destino. Mas nós freqüentamos os mesmos lugares, até compramos lanche e pegamos a mesma fila... É a tal história, tão perto e mesmo assim tão longe.
Só queria te conhecer, poder te falar, que eu te quero, que você tem a voz mais linda que eu já vi, seu cabelo é incrível e seu sorriso me faz sorrir, mas eu não posso, as palavras se perdem só de estar perto de você. Não sei se é isso mesmo, mas acho que eu te amo D. B.

É você, só você...

Hoje, quando estava chorando, outra vez, as lágrimas pararam de cair, mas o nó na garganta não se desfez, ele continuou lá. Os soluços do choro mal curado não passaram, eu continuei soluçando, como se ainda estivesse chorando, mesmos sons, mesma sensações, mas sem lágrimas salgadas como o mar escorrendo pelos meus olhos. Será que eu já gastei todas elas? Será que nunca mais vou poder chorar como antes? Eu sei que o meu choro foi verdadeiro, e você não teve culpa alguma nisso. Sei que toda a culpa por isso ter e estar acontecendo foi minha, eu me magoei e magoei você. Magoei você. É o que mais me dói. Já nem me preocupava comigo, desdo dia em que te conheci, porque você se tornou minha prioridade máxima. Eu me culpo, não só pelo que fiz, mas também pelo modo como agi, antes. Eu tinha crises de ciúme, onde não havia nada para haver ciúme. Eu via coisas onde não tinham. Eu chorava, por medo de te perder, ou ainda antes, de nunca poder te ter. Mas veja como a vida é irônica. Eu sempre reclamei, briguei, xinguei, que você não estava comigo. Invejei a quem você gostava, achava que elas agora, teriam uma vida de rainhas, princesas ao seu lado. E realmente, teriam, afinal, você é um principe, pode ser invejado por milhões de rapazes. Sempre fui cega por você, sempre te achei o mais, mais, mais. Na real, sempre fui apaixonada por você. E quando te tive, realmente tive os melhores momentos da minha vida. Tive mesmo momentos indescritíveis. Tive mesmo vida de princesa.
E é isso que não entendo. Porque? Meu Deus, porque eu fiz isso com você? Se sempre reclamei, agora devia chorar sozinha, pelo modo como agi. Você viajou uma vez, e olha o que eu faço. Te apunha-lo pelas costas. Te traio, e não apenas com alguém, mas também sua confiança, contando o segredo, que agora, eu prometi não contar, nem para as paredes, afinal, elas ouvem. Jurei nunca mais fazer a mesma coisa, porque o que eu sofri, não desejo a ninguém que ame. Pelo menos a vida ensina. De uma maneira dura, dolorosa, mas é para nunca esquecermos, lembrarmos da dor e nunca mais repetirmos, a menos que sejamos masoquistas, ai é outra história. Mas eu não sou. E aprendi, mesmo tão nova, a dor que o amor pode causar.
Ainda falo com você, porque você permitiu, eu devia agora estar me debulhando, corroendo por dentro, sozinha. Mas você é tão perfeito que não me deixou. E agora, você é o único que, de novo, me faz rir, sorrir, como já não fazia a muito tempo. Mas tem dias em que a tristeza não abandona, e só para te ver feliz eu visto minha máscara do sorriso e tudo fica bem, pois quando você ri, a ferida que nunca ia cicatrizar, melhora 1%. Devo estar exagerando eu sei, mas quando você me beijou de novo, aquele dia, a ferida fechou, pelo momento em que o beijo se prolongou, mas quando o beijo acabou, a ferida abriu outra vez. Não sei se é o certo a fazer, mas é o que eu desejo, o que eu quero. Mas sei que querer não é poder e que muitas vezes, o coração vir antes da razão, pode ser perigoso. Talvez pelo fato de eu saber que nunca vou ter você de novo para mim, ou pelo fato de eu só pensar na hipótese de te magoar outra vez, e isso eu nunca vou fazer, mas a dor me bate na lembrança e eu senti. Nunca mais vou ser como era antes. Mas eu sei que você é meu remédio, pois sem você, eu já não estaria aqui. Nem chorando, nem rindo, muito menos sorrindo. Estaria numa posição muito pior, a sete palmos do chão...
Eu te amo, de verdade, por mais que doa falar isso, é a verdade. Eu te amo, mais do que tudo, nunca me deixe, eu posso não sobreviver.