sexta-feira, 23 de julho de 2010

Meninas boas, meninas más

Me disseram que meninas boas vão para o céu, e meninas más, não.
Eu estava na balada com mais tres amigas, Aghata, Samanta, Cecília e eu, Pricila. Eu tenho cabelos lisos, loiros e compridos, Aghata é ruiva, Samanta é a mais enjoada, tem cabelos castanho avermelhado e Cecília é a mais desinibida, de cabelos castanhos. Estavamos dançando e um cara chegou em Aghata, ela logo o dispensou, mas o cara era muito lindo, musculoso e tudo. Ela veio do meu lado e disse:
-Pri, tenho que ir embora. Não estou acostumada com esse tipo de lugar! Minha mãe não vai gostar se eu ficar aqui. Ela sabe, mas disse pra voltar a meia noite em ponto, já são mais de uma! E ainda esses caras, Pri, dando em cima de mim, não posso! - ela estava desesperada.
-Calma, agente já vai, curte ai! - disse a ela. E fiquei dançando e observando as pessoas.
Um cara chegou em Cecília, e ela estava doidona. Ela foi com ele, não sei pra onde. Sorri, feliz por minha amiga, ou não... Um carinha chegou em Sam, ela o dispensou, chegou outro e ela ainda com cara de entediada, ela olhava para os meninos com desprezo e os chutava de lá. Ela fez isso muitas vezes seguidas, porém os meninos continuavam em seu pé. Até que um o agradou, eles conversaram, e depois de um tempo os perdi de vista. Aghata estava aflita ao meu lado. Tomamos umas e outras, ela se acalmou e foi ao banheiro, nesse tempo um menino chegou, falei com ele, mas não fez meu tipo, o dispensei, mas ele continuou no meu pé e logo, outros chegaram, e nenhum fazia o meu tipo, mas no meio da multidão, pulando com a música, tinha um. Passei pelos meninos na minha frente, e comecei a dançar perto dele. Ele começou a me olhar, e eu fingi que não era para mim, me fiz de difícil, logo estavamos num canto nos beijando.
Agora eu sei mais ou menos o que dizem, nessa noite, Aghata não ficou com ninguém, Samanta, pegou muitos, mas só quais ela quis, Cecília, ficou com um, mas ela não estava bem, e eu como Sam, fiquei com muitos, quais eu quis. Os meninos falaram que agente é má. Mas eles não largam nosso pé. Eu e Sam somos uma dupla inseparável.
Agora eu sei o que o povo quer dizer.
Meninas boas, vão para o céu. Meninas más, vão para onde querem.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Eu vi

Estava andando na rua, e estava chovendo. Eu entrei numa loja porque não queria me molhar mais, eu já estava ensopada, estava feia e sem graça, nada produzida. Fui olhar umas coisas e um menino me olhava. Encontrei seu olhar e meu corpo ferveu, e congelou. Eu não sabia o que fazer, queria correr e me atirar em seus braços, mas apenas sorri para ele. Eu tinha certeza que era você. Mesmos traços, mesmos olhos e mesmo jeito de vestir. Olhava para mim do jeito que você me olha. Mas então eu percebi que estava me enganando. O sorriso ainda no meu rosto e então eu me desviei. Ele ainda olhava para mim. Já faz tanto tempo. Tanto tempo que você se foi, amor. Será que nunca vou conseguir superar e seguir minha vida? Eu poderia ter ido lá e conversado com o rapaz. Ele não ligou que eu estava molhada, despenteada e feia, ele queria me conhecer, sorriu para mim. Ou será que foi dó? Eu não sei e nunca vou saber, você não me deixa. Eu não fui falar com ele. Deve ser você, dentro de mim, ainda enciumado, do jeito que era, tentando me afastar dos outros caras. Acho que vou morrer para ir ai com você, já não aguento mais ficar sem você e não conseguir ficar com ninguém.
Eu te amo.

Estava pensando


Será que a vida é tão difícil quanto agente pensa, ou não tão fácil quanto agente acha?
Será que todos que eu amo moram longe ou eu que não moro perto de ninguém?
Será que é possível viver sem você?
Por que eu não tenho mais razão pra viver se não te ter, aqui comigo?
Será que nesse mundo, ninguém sabe o que é certo?
Por que ninguém me entende?
Por que você não está aqui?
Por que eu gosto tanto de você?
Quem vai responder tudo isso pra mim?
Se você voltar, a saudade vai passar?
Se eu morrer, meus problemas desaparecem, e eu fico em paz pra sempre, ou é mentira?
Me responde?

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Conheço um menino

Estou sentada na frente do meu prédio esperando ele chegar. Faz dois anos que combinamos e faz dois anos que estamos esperando, ele fazer 18 anos para poder vir me buscar.
Lembro ainda como se fosse ontem, ou hoje, nós dois na internet. Eu tinha 13 anos, no fim do ano ia fazer 14 e eu criei um fake e simplesmente me apaixonei, não sabia mais como viver sem. Não sem o fake, sem o garoto que eu conheci nele. Eramos namorados no fake, o lado On da vida, mas levamos isso para a vida real, o lado Off da vida. Eu que amava o Nicholas Jonas, Zac Efron, talvez até o menino da minha escola, esqueci de tudo, por que agora só Luck vinha na minha cabeça, respirava pelo Luck, sonhava com o Luck, chorava pelo Luck, por morarmos longe e nunca nenhum dos nossos pais deixar agente se encontrar, trazer ele para São Paulo, ou eu para o Rio. Achávamos nossos pais completamente loucos. Fui presa, ao tentar fugir a pé para o Rio, pulei da janela, fiz tanta coisa...
Eu tinha ciumes dele, mas ele dizia que eu não precisava, por que eu era dele e ele era meu.
Acreditava, e ainda acredito.
O carro buzinou, me tirando dos meus pensamentos. Levantei o rosto e não pude acreditar no que vi. Aos 16 anos meu sonho se realizou, o que eu sonhava todas as noites, ganhou vida.
Larguei minhas coisas no hall do prédio e não pensei duas vezes em sair correndo para seus braços. Um casal passava na minha frente, me desviei deles, mas pude sentir seus olhares seguirem os meus e depois voltarem as minhas malas, e pude sentir eles sorrindo no ar.
Não importava o que acontecesse, nada iria tirar minha felicidade naquele instante. Abri o portão e o abracei, mais forte do que eu me achava capaz.
Senti algumas lágrimas correndo pelo meu rosto e eu só conseguia senti-lo, sabia que estavamos no meio da rua, ao lado do seu carro, mas eu senti a necessidade de beija-lo, não podia mais esperar por esse momento, já havia esperado de mais.
Nos beijamos, e de novo, foi um beijo tão perfeito que eu nunca achei ser capaz de existir.
Senti a garoa caindo sobre mim, não liguei, sorri. Alguns carros buzinavam, não ligamos. Estavamos no dia mais felizes de nossas vidas, e nada podia estragar.

É, a amizade é bem complicada ._.




Há alguns dias, eu perdi meu namorado. Peguei-o beijando outra, terminei tudo na hora.
-Scott? - perguntei tocando o ombro do menino de touca verde virado contra mim, se agarrando com uma loira mais bonita do que eu.
-Oh, oi Lun - ele ainda teve a cara de pau de me olhar, sorrindo e abraçando a mocréia. - Conhece a Jasmine?
-Não... - cruzei os braços, esperando uma explicação.
-Agora conhece. - ele sorriu e deu um selinho nela.
-Posso falar com você, Scott? - sorri amarelo para a loira escrota.
-Claro meu amor! - ele se levantou e estava vindo me beijar.
Desviei o rosto. O levei para tras de uma árvore da praça.
-O que é isso Scott?
-Isso o que Luna?
-Essa menina e... Você.
-Ah, é só uma amiga do prédio.
-Estavam se beijando, tem certeza que é sua amiga?
-Mas claro! Você não beija seus amigos?
-Não...
-Ah, então não me enche o saco, por que eu beijo.
-Scott, o que há com você?
-Nada, estou super bem.
-Quer parar de olhar e piscar para aquela oxigenada?
-Escuta, você não tem nada a ver com a minha vida! Você não manda em mim, e eu gosto de beijar mulheres.
-E eu não sou uma mulher, nem sua namorada não é?
-Mulher, você é. Minha namorada também. Mas se for pra ficar com ciuminho besta, melhor terminarmos.
-Se for pra ficar agindo como um idiota, é melhor eu terminar com você.
Tirei minha aliança do dedo e joguei no chão. Sai andando.
-Luna! Espera! Desculpa! - ele correu e continuou gritando, eu não dei ouvidos.
Ele não tinha sido o mesmo desde que começamos a namorar.
Quando cheguei na escola, no dia seguinte, minhas amigas estavam sentadas no mesmo lugar de sempre. Sentamos e eu contei o que aconteceu entre mim e Scott. Depois de um tempo, tudo estava normal e a professora nos chamava para receber as provas.
Últimos dias de aula, bagunça.
Quando fui guardar minha prova na mala, os meninos, meus amigos, me pararam para conversar. E eu conversei. Eles me chamaram para ir jogar truco no recreio com eles, aceitei, não vi o porque não aceitar. As meninas já haviam me falado que não gostavam de truco, então, nem me preocupei em convidar. Elas voltaram e foram jogar UNO. Me desculpei com o olhar, olhando para elas, mas os meninos estavam num assunto tão legal, e eu não queria parar de conversar. Minha melhor amiga, Bel, virou a cara, eu pensei, fingindo estar com raiva, eu ri, e ela não me olhou mais. No recreio, joguei truco com os meninos, e depois continuei conversando com eles.
No dia seguinte, me sentei do lado delas, estavam ouvindo musicas no Ipod, ocupadas de mais para ouvir meu sonho... Ou para falar comigo. Meu amigo veio e se sentou do meu lado, conversei com ele, já que elas estavam ocupadas. Sai no recreio com os meninos, de novo, elas não falaram comigo. E assim os dias foram se passando, e nós três, cada vez mais distantes.
No penúltimo dia de aula, na saida, um dos meus amigos, Richard veio falar comigo.
-Ei Lun, a Estela esta chorando lá em baixo ela e Bel estavam falando de você, mas quando eu cheguei perto, elas param de falar. Melhor ir falar com elas.
-Tudo bem. - me levantei de onde eu estava sentada, esperando meu avô vir me buscar.
Desci as escadas e Estela estava enxugando as lágrimas, a Bel já tinha ido.
-Hey. - me sentei ao lado dela.
Ela não me respondeu, virou o rosto e encolheu as pernas, parecia que eu era um monstro ou coisa assim.
-Olha, o que foi? - perguntei.
-Luna, você sempre faz isso!
-Isso o que?
-Sai sem falar com agente!
-Eu não fiz nada, fui jogar truco e eu sei que vocês não gostam, então...
-Mas não fala nunca com agente depois disso.
Do outro lado, Richard me olhava em desespero, querendo que acabasse logo, como eu.
-Tudo bem, mas eu fiquei sentada perto de vocês terça e vocês estavam super ocupadas ouvindo musica, eu não ia ficar sentada que nem um espantalho!
-Eu falei com você!
-Oi.
-Sim.
Meu celular tocou.
-Meu avó chegou, tenho que ir.
-Tudo bem, amanha agente conversa, eu você e a Bel.
Fui pra casa, com raiva. Elas não podiam fazer isso comigo, eu não fiz nada de errado!
Voltei para a escola e só no fim da aula, os meninos decidiram acabar com aquilo. A coisa que mais me deixou com raiva em tudo que elas disseram foi:
-Se quiser voltar a ser nossa amiga, peça desculpas...
Só que eu não vou pedir desculpas, por que eu não fiz nada de errado, eu não fiz nada!
As férias vieram, junto com o lançamento de eclipse e os jogos do Brasil, que não assistimos juntas, que não passamos esses momentos juntos.
E a saudade? Só aperta. Mas acho que eu não vou pedir desculpas, eu não fiz nada de errado.

Team Jacob




-Eu te amo, Bella - murmurou ele
-Eu te amo, Jacob - sussurrei, com a voz entrecortada.
Ele sorriu.
-Sei disso melhor do que você. - Ele se virou para se afastar.
-Qualquer coisa. - Gritei numa voz estrangulada. - O que você quiser. Mas não faça isso!
Ele parou, virando-se devagar. -
Você não falou com sinceridade.
-Fique - implorei.
-Não, eu vou. - Ele parou, como se tivesse tomado uma decisão. - Mas posso deixar isso por conta do destino.
-O que quer dizer? - eu disse, sufocada.
-Não precisa fazer nada deliberadamente... Posso só fazer o melhor por meu grupo, e o que tiver que ser, será. - Ele deu de ombros. - Se você conseguisse me convencer de que quer mesmo que eu volte... Mais do que quer fazer o que acha certo.
-Como? - perguntei.
-Pode me pedir - sugeriu ele.
-Volte - sussurrei. Como ele podia duvidar da minha sinceridade?
Ele sacudiu a cabeça, sorrindo de novo.
-Não era disso que eu estava falando.
Precisei de um segundo para entender o que ele dizia, e nesse tempo ele olhava para mim com aquela expressão superior – seguro de minha reação. Assim que percebi, soltei as palavras sem parar para pensar no custo.
-Pode me beijar, Jacob?
Seus olhos se arregalaram, depois se estreitaram, desconfiados.
-Está blefando.
-Beije-me Jacob. Beije-me e depois volte.
Ele hesitou na sombra, lutando consigo mesmo. Meio que se virou para o oeste, o torso afastando-se de mim enquanto os pés continuavam plantados no chão. Ainda olhando a distância, deu um passo inseguro em minha direção, depois outro. Girou o rosto para olhar para mim, os olhos em dúvida.
Eu o fitei também. Não fazia idéia da minha expressão.
Jacob se balançou nos calcanhares, depois se lançou para a frente, diminuindo a distância entre nós em três longas passadas.
Eu sabia que ele tiraria proveito da situação. Eu esperava por isso. Fiquei completamente imóvel – os olhos fechados, os dedos enrolados nos punhos ao lado do corpo – enquanto as mãos dele pegavam meu rosto e seus lábios encontravam os meus com uma ansiedade que não distava muito da violência.
Pude sentir sua raiva enquanto sua boca descobria minha resistência passiva. Uma das mãos passou para minha nuca, girando em punho em torno das raízes de meu cabelo. A outra mão agarrou rudemente meu ombro, sacudindo-me e depois me arrastando para ele. Sua mão continuava em meu braço, encontrando meu pulso e puxando o braço para cima, colocando-o em seu pescoço. Deixei-a ali, a mão ainda numa bola estreita, sem saber até que ponto eu podia ir em meu desespero para mantê-lo vivo. Em todo esse tempo, seus lábios, desconcertantemente macios e quentes, tentaram forçar uma resposta dos meus.
Assim que teve certeza que eu não largaria o braço, ele libertou meu pulso, a mão sentindo caminho para minha cintura. Sua mão ardente encontrou a pele da base das minhas costas e ele me puxou para a frente, curvando meu corpo contra o dele.
Seus lábios desistiram dos meus por um momento, mas eu sabia que ele não estava perto de terminar. A boca seguiu a linha de meu queixo, depois explorou meu pescoço. Ele soltou meu cabelo, estendendo o outro braço para colocá-lo em seu pescoço, como o primeiro.
Depois os dois braços de Jacob estavam fechados em minha cintura e seus lábios encontaram minha orelha.
-Pode fazer melhor do que isso, Bella - sussurrou ele com a voz rouca - Está pensando demais.
Eu tremi ao sentir seus dentes roçarem meu lóbulo da orelha.
-É isso mesmo - murmurou ele - Pela primeira vez, deixe fluir o que você sente.
Sacudi a cabeça mecanicamente até que as mãos de Jacob estava de volta ao meu cabelo e me deteve.
A voz dele ficou acida.
-Tem certeza de que quer que eu volte? Ou realmente quer me ver morto?
A raiva tremeu em mim como um chicote depois de um golpe forte. Aquilo era demais – ele não estava sendo justo.
Meus braços já estavam em seu pescoço, então agarrei seus cabelos – ignorando a pontada de dor na mão direita – e puxei, lutando para afastar meu rosto do dele.
E Jacob entendeu mal.
Ele era forte demais para reconhecer que minhas mãos, tentando arrancar seu cabelo pelas raízes, queriam lhe provocar dor. Em vez de raiva, ele imaginou paixão. Pensou que eu estava, afinal, reagindo a ele.
Com um ofegar intenso, ele voltou a colocar a boca na minha, os dedos se agarrando freneticamente à pele de minha cintura.
O choque da raiva desequilibrou meu tênue autocontrole; a reação inesperada de êxtase por parte dele venceu. Se houvesse só triunfo, eu seria capaz de resistir. Mas a completa entrega de sua súbita alegria abalou minha determinação, inutilizando-a. Meu cérebro desconectou-se do meu corpo e eu estava retribuindo seu beijo. Contra toda a razão, meus lábios se moviam com os dele de formas estranhas e perturbadoras, como nunca se moveram antes – por que eu não precisava ter cuidado com Jacob e ele certamente não estava sendo cuidadoso comigo.
Meus dedos agarraram seu cabelo, mas eu agora o puxava para mais perto.
Ele estava em toda parte. O sol penetrante tornou minhas pálpebras vermelhas e a cor combinava com o calor. O calor estava em toda parte, eu não conseguia ver nem sentir nada que não fosse Jacob.
A pequena parte do meu cérebro que manteve sanidade gritava perguntas para mim. Por que eu não estava impedindo aquilo? Pior ainda, por que eu não conseguia encontrar o desejo de parar? Significava que eu não queria que ele parasse? Que minhas mãos se agarraram aos ombros dele e gostaram que fossem largos e fortes? Que as mãos dele me puxassem apertado demais em seu corpo, e no entanto, não fosse apertado o bastante para mim?
As perguntas eram idiotas, porque eu sabia a resposta: eu estava mentindo para mim mesma. Jacob tinha razão. Teve razão o tempo todo. Ele era mais do que apenas meu amigo. Por isso era tão impossível me despedir dele porque eu estava apaixonada por ele. Também. Eu o amava, muito mais do que devia, e no entanto ainda não era o bastante. Eu estava apaixonada por ele, mas não era suficiente para mudar nada; era só o bastante para magoar nos dois. Para magoá-lo ainda mais do que eu fizera.
Eu não podia me importar mais do que... do que com sua dor. Eu merecia mesmo qualquer dor que ele me provocasse. Tive esperanças de que fosse ruim. Esperava o fato de sofrer.
Nesse momento, senti como se fôssemos a mesma pessoa. A dor dele sempre foi e seria a minha dor – agora a alegria dele era a minha alegria. E sempre me senti alegre, e ainda assim a felicidade dele, de certo modo, também era dor. Quase tangível – ardia contra minha pele como ácido, uma tortura lenta. Por um breve e interminável segundo um caminho inteiramente diferente se expandiu por trás das pálpebras de meus olhos lacrimosos. Como se eu estivesse olhando pelo filtro dos pensamentos de Jacob, pude ver exatamente do que eu poderia abrir mão, exatamente o que quer esse novo autoconhecimento não me pouparia de perder. Eu podia ver Charlie e Renée misturados numa estranha colagem com Billy e Sam em La Push. Podia ver os anos passando, e significando alguma coisa enquanto passavam, mudando-me. Eu podia ver o enorme lobo marrom-avermelhado que eu amava, sempre presente, tão protetor como se eu precisasse dele. Pelo menor fragmento desse segundo, vi as cabeças de duas crianças pequenas de cabelos pretos, correndo de mim na floresta familiar. Quando desapareceram, levaram o que restara da visão.
Então, com clareza, senti a fissura em meu coração se estilhaçar como a menor parte que se separava do todo.
Os lábios de Jacob ainda estavam nos meus. Abri os olhos e ele me fitava, admirado e exaltado.
-Tenho que ir - sussurrou ele.
-Não - Ele sorriu, satisfeito com a minha resposta.
-Não vou demorar - prometeu ele. -Mas primeiro uma coisa...
Ele me beijou de novo, e não havia mais motivos para resistir. Que sentido teria?
Dessa vez foi diferente. As mãos dele eram suaves em meu rosto, e seus lábios quentes eram gentis, inesperadamente hesitantes. Foi breve e muito, muito doce.
Seus braços se enroscaram à minha volta e ele me abraçou seguramente ao sussurrar em meu ouvido.
-Este devia ter sido nosso primeiro beijo. Antes tarde do que nunca.
Enterrei o rosto no peito dele, onde ele não podia ver as lágrimas que se acumulavam e caíam.